Bombas no Alqueva ajudam a criar oportunidades

O Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva 

A região do Alentejo, no Sul de Portugal, com cerca de 27.000 km², cobre quase um terço do País, e tem uma população de aproximadamente 500.000 habitantes. No entanto, ainda não conseguiu desenvolver todo o seu potencial. Se por um lado é relativamente árida, por outro é uma zona muito bela, com um elevado potencial de diversificação da agricultura e desenvolvimento do turismo. Estas qualidades já foram há muito identificadas pelo Governo Português, mas até ao final do século passado os reduzidos recursos hídricos tinham refreado o investimento privado. 

Esta situação está a mudar, pois a construção de uma barragem no Rio Guadiana ajudou a criar o maior lago artificial da Europa, e a permitir a implementação de um projecto de irrigação muito ambicioso. Chamado Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (ver fig. 1) e desenvolvido pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA), os principais objectivos são melhorar progressivamente o tipo de cultura agrícola, garantir o abastecimento de água às populações e às indústrias, desenvolver o turismo, estimular o emprego regional, combater os potenciais problemas de desertificação e mudanças climáticas através da irrigação, e ainda produzir electricidade.

pic 1_Alqueva Fig. 1: Esquema do Empreendimento do Alqueva

As comportas da barragem, localizadas na ponta Sul do lago, foram fechadas em 2002 e o lago começou a encher até à sua posição actual, em que cobre uma área de 250 km², um comprimento de 83 km e um volume de 4.150 hm³, dos quais 3.150 hm³ são utilizados durante o funcionamento normal. Entre 2002 e 2010 o projecto de irrigação envolveu a construção de 17 reservatórios, 9 dos quais são pequenas barragens, e quando terminou essa fase, tinha 680 km de canais de irrigação primária e 4.400 km de canais de irrigação secundária e terciária. Para movimentar tão grandes caudais de água, através de tão extensa área, são necessárias infra-estruturas de bombagem consideráveis. 

Este empreendimento está dividido em 3 subsistemas: Alqueva, que inclui 59.690 ha de área irrigada a partir da barragem do Alqueva; Pedrogão, que inclui 29.578 ha de área irrigada a partir da barragem do Pedrogão; e Ardila, que inclui 20.935 ha de área também irrigada a partir da barragem do Pedrogão. A rede primária inclui várias estações de bombagem que levam água a cada subsistema e aos reservatórios, e em cada subsistema existem diversos blocos de rega (ver fig. 2), pertencentes à rede secundária, que levam a água aos agricultores.

New content item Fig. 2: Vista exterior de uma Estação Elevatória

A participação da KSB 

A KSB envolveu-se no projecto desde o seu início, devido à sua forte presença e competências locais em projectos de abastecimento de água. Com uma equipa de técnicos altamente qualificados e experientes, a KSB em Portugal é frequentemente solicitada pelos projectistas para os apoiar, o que voltou a acontecer neste projecto. Até agora já foram fornecidas mais de 100 bombas KSB para as redes primária e secundária deste sistema. 

As bombas fornecidas pela KSB incluem os modelos de câmara bi-partida Omega e RDLO, onde as maiores RDLO são utilizadas em estações de bombagem da rede primária. Além disso, também foram fornecidas várias Multitec V, bombas multicelulares de alta pressão, instaladas na vertical. 

Sendo o rendimento energético um dos principais aspectos na selecção das bombas, a KSB testou todas as suas bombas em conformidade com a ISO 9906/1. A bomba Omega, de câmara bi-partida (ver fig. 3), possui um impulsor radial de dupla aspiração, sendo perfeitamente adequada às exigências das estações de bombagem da rede secundária, pois disponibiliza um melhor ponto de funcionamento e níveis de eficiência operacional acima de 86%. O interior da bomba foi desenhado especificamente para impulsionar água com uma resistência ao escoamento mínima, o que também contribui para a poupança energética e menor custo do ciclo de vida. 

pic 2_Edia Fig. 3: Vista em corte de uma bomba Omega

Outra característica da Omega é a sua versatilidade, que se reflecte no elevado número de curvas de funcionamento, combinações de materiais, opções de vedação do veio, opções de instalação e variantes de flanges disponíveis. O motor pode ser colocado quer do lado esquerdo, quer do lado direito da bomba, sem necessidade de peças adicionais ou modificações no corpo. 

A bomba RDLO, de voluta bi-partida e monocelular, pode atingir rendimentos acima de 90% e, tal como a mais pequena Omega, possui um impulsor radial de dupla aspiração e pode ser instalada na horizontal ou vertical. Adicionalmente, todos os componentes rotativos são auto-alinhados, pelo que não há necessidade de alinhamento da bomba, tornando a montagem e a instalação mais simples e mais rápidas. 

Todas as bombas Omega e RDLO para o Empreendimento do Alqueva foram fornecidas com sondas de medição da temperatura e vibrações nas chumaceiras, para permitir aos utilizadores das estações de bombagem avaliar o desempenho das bombas em qualquer momento. 

pic 3_Edia Fig. 4: Vista interior de uma Estação Elevatória

O facto de a KSB ter fornecido um total de 33 bombas para as três primeiras estações elevatórias sem qualquer falha, deu aos empreiteiros envolvidos nos projectos seguintes a confiança na KSB para cumprir integralmente as exigências técnicas da EDIA e os apertados prazos de entrega, garantindo que a instalação, arranque e exploração se desenvolveriam sem problemas e dentro dos prazos.

Os sistemas de bombagem 

De modo a garantir a optimização do uso da água ao longo dos canais de irrigação, foram colocados pontos de medição dos caudais em posições estratégicas para os agricultores, que estão ligados às estações de bombagem locais por telemetria. Desta forma, sempre que um agricultor abre uma válvula para obter água, é possível medir o caudal utilizado ao longo do dia e calcular as necessidades de consumo, para comandar as bombas da forma mais eficiente possível. Para o efeito foi criado um sofisticado software, que regula automaticamente as pressões e os caudais das bombas, em função das solicitações. Além disso, as bombas são monitorizadas pelos engenheiros da exploração remotamente, através de computador.

pic 4_Edia Fig. 5: Pormenor da Estação Elevatória

O nível de funcionamento das bombas varia com a época do ano. Nos meses de Verão as necessidades de consumo são consideravelmente mais elevadas que nas restantes épocas do ano, pelo que as bombas funcionam por longos períodos durante o dia. No entanto, quando as solicitações são menores, muitas das estações elevatórias utilizam pequenas bombas “jockey”, apenas para manter a pressão na rede e os níveis de água nos reservatórios, pois esta é uma solução mais eficiente. Quando o consumo ultrapassa as capacidades das pequenas bombas, as bombas maiores arrancam automaticamente. Para minimizar o desgaste das bombas e optimizar os custos do ciclo de vida, todas as estações elevatórias possuem um programa que alterna automaticamente o funcionamento das bombas. 

As vantagens da KSB 

As vantagens competitivas que permitiram à KSB obter uma parte tão importante das encomendas de bombas, foram não só a provada capacidade técnica dos seus produtos em aplicações de abastecimento de água em todo o mundo, mas também a sua capacidade de disponibilizar um elevado apoio técnico e experiência, desde a fase de projecto até à instalação das bombas, continuando depois na assistência pós-venda.

João Leite / Director Geral


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