Segredos da Manutenção: Protecção Antideflagrante

Protecção Antideflagrante_fig. 1

A directiva 94/9/CE veio alterar o panorama da protecção antideflagrante, mesmo para as bombas mais simples, quando instaladas em zonas classificadas. Esta directiva obriga não só a que os equipamentos cumpram alguns requisitos especiais (pontos 4, 5, 7 abaixo), como também que os operadores cumpram determinados procedimentos (restantes pontos). Vejamos como exemplo, as exigências para as bombas normalizadas (na KSB é o modelo ETANORM): 

1. Todo o pessoal envolvido em trabalhos, deve estar habilitado a fazê-lo em zonas classificadas.

2. Os limites de funcionamento têm de ser rigorosamente cumpridos (o principal perigo é o aumento da temperatura, donde o não cumprimento pode resultar numa temperatura acima dos limites admitidos, com o consequente perigo de explosão!).

3. Quando são bombeados fluidos combustíveis, os componentes do corpo que estão sob pressão (corpo, tampa de descarga, nalguns casos caixa de rolamentos) têm de ser construídos em material dúctil.

4. Deve ser garantido que os materiais do acoplamento e da respectiva protecção não produzem faíscas, em caso de eventual contacto mecânico. As bombas KSB satisfazem este requisito.

5. O alinhamento do grupo deve ser frequentemente verificado (o desalinhamento pode resultar num aumento inadmissível da temperatura!).

6. As bombas com transmissão por correias devem ter ligação à terra, deve ser verificado regularmente o estado das correias, e estas devem ser electricamente condutivas.

7. A ligação eléctrica deve estar de acordo com a norma IEC 60079-14.

8. A bomba deve estar sempre ligada à terra.

Pic 2_Protecção Antideflagrante Bomba KSB - Modelo Etanorm 9. No caso de fluidos combustíveis, o interior da bomba, as tubagens de aspiração e compressão e os sistemas auxiliares, devem estar sempre cheios (para impedir a presença de uma atmosfera explosiva).

10. Devem ser utilizados dispositivos que impeçam o funcionamento a seco (para evitar aumentos de temperatura inadmissíveis e/ou faíscas). ATENÇÃO: uma instalação da bomba na vertical pode impedir as características de auto-ferragem, provocando o funcionamento a seco da bomba ou do empanque mecânico. A existência de cavitação também pode causar aspiração de bolhas de ar, resultando no funcionamento a seco do empanque mecânico.

11. No caso de fluidos abrasivos, o estado das paredes do corpo deve ser frequentemente verificado (podem erodir, escapando o fluido para o exterior).

12. O sentido de rotação nunca deve ser verificado com a bomba vazia (para evitar a ocorrência de faíscas).

13. Não é permitido o funcionamento da bomba contra válvula na descarga fechada (o resultante aumento da temperatura e da pressão do fluido no interior da bomba, pode provocar explosão!).

14. Os caudais mínimos definidos no manual de instruções (para água) têm de ser cumpridos (para evitar um aumento da temperatura no interior da bomba).

15. Deve garantir-se a não ocorrência de aumentos de temperatura e faíscas resultantes de erros de operação ou mau funcionamento.

16. Deve ser evitado o funcionamento a seco dos empanques, tanto mecânicos, como de cordão (o que pode resultar de uma câmara de vedação mal ferrada, do excessivo conteúdo de gás no fluido, do aperto excessivo do empanque de cordão, ou do funcionamento da bomba fora da sua gama).

De realçar que a marcação na bomba apenas se refere a esta, devendo o acoplamento e o motor ser considerados em separado. 

Se as consequências do não cumprimento de algumas instruções de segurança são danos no equipamento e no ambiente, neste campo da protecção antideflagrante elas podem ser catastróficas (explosão e mortes!), pelo que vale mesmo a pena cumprir estes “segredos” !



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